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Savassi, Belo Horizonte, Minas Gerais
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Imagine um ambiente de trabalho onde o medo é um fantasma constante. O medo de errar, de ser julgado, de expressar uma ideia "boba". Quantas inovações são sufocadas, quantas vozes silenciadas antes mesmo de nascerem? É exatamente para combater esse cenário que a segurança psicológica se apresenta. Mas, afinal, o que é essa "segurança" que não se vê, mas se sente profundamente?
Não se trata de um espaço sem conflitos, mas de um terreno fértil onde a vulnerabilidade é permitida e até encorajada. Amy Edmondson, pioneira no tema, define-a como a crença compartilhada de que o time é seguro para a tomada de riscos interpessoais. Em outras palavras, é a liberdade de ser humano – com suas imperfeições e ideias ousadas – sem a sombra da humilhação ou retaliação.
E qual o elo com a saúde mental? Pense bem: um colaborador que vive sob constante vigilância, receoso de cada passo, está construindo ou destruindo sua própria resiliência? A ausência de segurança psicológica é um convite aberto ao estresse crônico, à ansiedade generalizada e ao burnout. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) são alarmantes: a depressão e a ansiedade custam à economia global trilhões de dólares anualmente em perda de produtividade. Não é apenas um custo humano; é um dreno financeiro.
Mas quando esse escudo invisível está presente, a transformação é palpável. Equipes com alta segurança psicológica mais que sobrevivem, prosperam. Elas inovam mais, adaptam-se mais rapidamente e entregam resultados superiores. Lembre-se do Projeto Aristóteles do Google, que identificou a segurança psicológica como o fator mais importante para a eficácia das equipes. Não é coincidência. É causa e efeito.
Outra iniciativa fundamental reside na instauração de uma cultura de aprendizagem a partir de erros, frequentemente implementada por meio de "blameless post-mortems". Em vez de focar na culpabilização individual, a análise de falhas é direcionada à compreensão sistêmica dos eventos, visando a identificação de lições aprendidas e a prevenção de reincidências. Complementarmente, o treinamento em escuta ativa e empatia para líderes e equipes capacita os colaboradores a compreenderem perspectivas diversas e a responderem de forma construtiva, fortalecendo as relações interpessoais e o senso de pertencimento.
A definição clara de expectativas e papéis é uma base para a segurança psicológica, pois reduz a ambiguidade e a ansiedade. Colaboradores que compreendem suas responsabilidades e como seu trabalho contribui para os objetivos organizacionais sentem-se mais seguros e engajados. Além disso, a promoção da Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) é intrinsecamente ligada à segurança psicológica, pois um ambiente verdadeiramente inclusivo garante que todas as vozes sejam respeitadas e valorizadas, independentemente de suas características, fomentando um senso de pertencimento essencial para a tomada de riscos interpessoais.
Portanto, a implementação de mapeamentos regulares sobre o bem-estar dos colaboradores demonstra o cuidado da organização com a saúde mental de sua força de trabalho. Esses momentos, formais ou informais, permitem que líderes e equipes discutam abertamente sobre carga de trabalho, estresse e necessidades de apoio, reforçando que o bem-estar é uma prioridade. Assim, a adoção coordenada dessas iniciativas cria um ecossistema organizacional onde a segurança psicológica floresce, impactando positivamente a saúde mental dos colaboradores e impulsionando a inovação e o desempenho.
Então, a reflexão que deixo é: sua organização está apenas cumprindo a NR-01 em termos de segurança física ou está também investindo na segurança psicológica, o alicerce para a saúde mental e a verdadeira performance? O custo da inação é alto demais para ser ignorado.